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O Design Emocional Na Humanização das marcas

Discutir sobre a humanização das marcas é discutir sobre as mudanças no modo como os consumidores se relacionam com estas em uma sociedade de consumo pós-moderna e como tais mudanças geram a necessidade de se criar um elo de identificação emocional entre produto e consumidor. “Enquanto pessoas clamam por mais experiências emocionais das marcas, o mundo do branding demora a reagir a essas novas necessidades. A maioria das corporações administra suas marcas através de departamentos de comunicação desconectados, o que fragmenta as percepções que o público tem da marca” (GOBÉ, 2010).

As novas mídias e a necessidade cada vez mais crescente de estar presente no maior número de lugares possíveis, com a ilusão de que dessa forma seria possível conectar-se com seu target, fez com que as marcas começassem a verter anúncios em quantidades vulgares por todos todos os meios de comunicação, transformando o mundo em uma gigantesca Times Square com propagandas agredindo nossos olhos. “A confiança quase exclusiva em uma forma de comunicar estreita e limitada — publicidade de massa — como a principal saída para a comunicação não está conseguindo engajar os consumidores de um modo mais sensorial e surpreendente” (GOBÉ, 2010).

Para destacar-se em um corpo social cada vez mais maquinizado em virtude da evolução tecnológica e automação da vida, as marcas que estiverem dispostas a se manterem vivas nesse ambiente, precisarão se aproximar do lado humano através de gatilhos sensoriais gerados em todas as formas de contato com o consumidor: filmes, anúncios, pontos de venda, embalagens, atendimento, pós-venda, entre outros. “As marcas bem-sucedidas irão reformular suas imagens usando um vocabulário visual e verbal único e diferenciado, e nesse processo criarão mensagens originais que tocam o coração.” (GOBÉ, 2010).

Precisamos levantar uma reflexão em torno do relacionamento das pessoas com uma marca e como ela pode se apoiar em sentimentos humanos legítimos e consistentes que se relacionam com desejos e realidade do seu público. Gerando assim uma maior identificação como o seu target e consequentemente uma diferenciação em relação aos seus concorrentes.

Seria responsabilidade das marcas resgatar características humanas em uma sociedade cada vez mais automatizada, e com isso conectar-se de maneira mais efetiva com o seu público?

A ascensão tecnológica trouxe, dentre muitas outras coisas, para a nossa sociedade novas mídias tais como redes sociais, web banners, entre outras. Esses novos meios de divulgação agora mais acessíveis e de fácil divulgação, fez crescer exponencialmente os números de publicidade entregue aos consumidores no dia a dia, aumentando proporcionalmente a dificuldade de gerar diferenciação e destaque para uma marca específica em meio a um universo tão poluído. “A questão é que o nosso cérebro está constantemente ocupado coletando e filtrando informações. Algumas partículas de informação chegarão até o armazenamento de longo prazo — em outras palavras, a memória — mas a maior parte se tornará entulho irrelevante, relegado ao esquecimento.” (LINDSTROM, 2012).

Analisar os conceitos de humanização aplicado ao branding, maneiras de usar impulsos sensoriais e cognitivos como estratégia de comunicação, entender o uso do design como um ativo de uma corporação, levantar argumentos relacionados a necessidade urgente de mudança na maneira de como uma marca se relaciona com o seus consumidores mostra-se imprescindível para fazer uma marca ser lembrada nos dias de hoje. “Em 1965, um consumidor típico lembrava 34% dos anúncios. Em 1990, esse percentual havia caído para 8%”. (LINDSTROM, 2012).

AAKER, David. Relevância de marca: Como deixar seus concorrentes para trás. Porto Alegre: Bookman, 2011.

GOBÉ, Marc. Brandjam: O design emocional na humanização das marcas. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.

LINDSTROM, Martin. A lógica do consumo: Verdades e mentiras sobre por que compramos. Porto Alegre: Bookman, 2012.

LINDSTROM, Martin. Brandsense: Segredos sensoriais por trás das coisas que compramos. Rio de Janeiro: Nova fronteira, 2009.

Cover Photo by David Lezcano on Unsplash

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